sexta-feira, maio 16, 2008


Absorta ouvi
Um gemido baixinho
Fechei os olhos e escutei
As cordas doridas
De uma guitarra

Desfiava tristeza
De uma alma ausente
De uma mulher perdida

A medo a ergui
Uma lágrima se soltou
Percorreram-na meus dedos
E uma melodia se ouviu

Guitarra minha
Ouve meus gemidos
Ouve meu silêncio triste
Minha alma desamparada

Escuta-me baixinho
Leva-me para o Mar…

4 comentários:

amfm disse...

tão bom, tanto mar...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Valsa Lenta
Lindo é o poema mas demasiado triste.
Quem tem a tua sensibilidade tem uma riqueza interior que há-de conquistar muitos dos dias e da sua plenitude.
Por isso amiga não digas:

Ouve meus gemidos
Ouve meu silêncio triste
Minha alma desamparada

O sol nasce e todos os dias há uma nova esperança.

Abraço

ana disse...

Reconheço esta poesia, mas mais que isso : reconheço a escritora responsável por estas palavras!

Não sei se a pulsão de escreveres este poema em particular, partiu de uma fluminante inspiração, provocada por uma boa selecção musical?! ;)

Se assim foi,nesse caso, devo relembrar-te : Bem te avisei que a "música" - ( aquela musica em particular ) - tinha um efeito inspirador!

Na verdade, foi uma pessoa que eu amo muito, que me indicou as cantoras! Eu limitei-me a procurar músicas da cantora, e descobri um mundo fascinante de sons e palavras, que me levaram a mais cantoras e mais sonoridades!

Este ciclo de criatividade que empurra outro, fascina-me!!!

Portanto, Decidi partilhar, porque é de facto inspirador! A minha "tutora musical", ensinou-me a sentir a música outra vez - através do amor -, em tempos, quando julgava ter perdido!

Costuma-se dizer, que a vida tanto nos tira, como nos dá!Na verdade, temos que nos perder, para nos encontrarmos! Caso contrario, não teria mt sentido "perder"! Nem haveria sentido em "encontrar"!
Os contrários, na verdade completam-se, de uma forma ou de outra!

Sim, o amor tem essa capacidade mágica de libertar-nos, e fazer avançar (quando estamos preparados para tal)! Outras vezes, o amor vem como o vento e o trovão - quando menos se espera!

Portanto, já sabes, se tens que agradecer quanto à música que te enviei, é a ela!Ela é Música em pessoa e sempre será a minha musica favorita...

A música - no geral -, é a que melhor devolve a experiência dessa continuidade ondulatória e pulsante da vida!

Sendo o ritmo, o pulsar vital do corpo, assim tambem a Valsa lenta, tem o seu ritmo próprio. Isso vê-se no momento que Transmites a tua experiência vivida: através da união do som e o sentido da palavra.

"Ladies and Gentlemen" Eis, como nasce a obra de arte!
O puro movimento sonoro no tempo:
a palavra, antes de produzir uma imagem, já vem carregada de uma musicalidade própria, capaz de construir e dar forma à imaginação.

Ás sensações desses efeitos, atribui-se metáforas, produzindo um cruzamento de diferentes
percepções sensoriais, que une sentido da audição e a imagem evocada.

É possivel transmitir uma relembrança que pensa e uma saudade que sente, através de uma atmosfera poetica,aonde muitos de nós, nos "encontramos" reflectidos!

Cada qual pinta o seu quadro!; Desenha o seu esboço, com os instrumentos que possui;
Da mesma intensidade com que lê, vê, recorda em si; e sente!

Não nos admiramos,por isso, quando descobrimos, que todas as pessoas que nos fizeram ver,
sentir, de uma outra forma, nos marcam - inspiraram-nos - , pois fizeram parte das nosas vidas!

Muitas vezes, é nas palavras que vemos essas pessoas reflectidas.
Outras vezes, é nas entrelinhas que pauta a intensidade projectada, ao valor subjectivo do olhar.

Contudo, com o passar do tempo, descobrimos a importância das experiências, e a necessidade de crescer por dentro! Partilhar ao mundo esse crescimento, passa a ser uma celebração da vida!

Afinal de contas, somos uma especie de projecção do passado, que tenta libertar-se, e por isso grita! Grita a dor que foi sentida...que é relembrada, e a que ainda permanece...

E dessa intensidade, funde-se a uma nova realidade, que é a arte de escrever!

Tudo na nossa vida tem um sentido \ intensidade única. Mesmo que na altura não sejamos capazes de perceber!

Aprendemos com todas as pesssoas \ relações.Mesmo que a gestação emocional e psiquica, leve mais ou menos tempo! E com essa aprendizagem - esse convivio - trazemos á superficie o que há de puro em nós.

"O Mar" - esse simbolismo universal a que tanto te inspiras e identificas; esse misto de contradição: Que ora reflecte tranquilidade e sabedoria - do silêncio ( tempo que passa e não passa) -, mas tambem traz revolta da alma ( tempo agitado, ansioso, estrondoso ) - julgo que sempre foi uma personificação de ti mesma!

Nas profundezas desse mistério que te envolve, e as cores e o cheiro do azul\verde - que te seduz, tudo parece possivel, mesmo o impossivel! Por isso, percebo porque te Hipnotisa, mas tb porque te provoca medo - ao desconheceres esse piso sem fundo definido, a que chamam destino!

Considero este poema Uma personificação do teu estar na vida! Mas é no silencio, aonde mais te expressas....nas entrelinhas do horizonte que descreves!

Poderia dizer mais...mas como não te quero pôr mais vermelha do que já estás, sei que É aí - no silêncio - o lugar aonde habitas!

O percurso do silêncio, é tão profundo como o Mar que descreves! Percebo que é esse, o silêncio que te impulsiona a criar!

Tb sei que não cabe a mim desvendar, eu é que gosto da psicologia humana e de interpretar obras de arte!
Sabes bem disso! ;)

Parece triste..mas na verdade, pode até nem ser!
A beleza não tem que ser necessariamente triste!
NÓs é que fazemos dela o que nós vemos e sentimos - é quando recordamos da dor, que ela vem com intensidade! Vem com tanta intensidade, que doi! -.

A forma como interpretamos a vida, é a forma como sentimos as coisas!
A forma como expressamos a vida, nem sempre é o que na realidade é, apenas o que queremos perceber e aprender com a vida! Moldamos e idealizamos um mundo ao nosso redor, e é nesse mundo em que vivemos!

A vida é demasiado complexa para nos resumirmos apenas aos opostos: triste e feliz!

Tudo tem uma raíz mais profunda, como o "Mar"...

E como dizes bem: essa profundeza, cabe a ti e ao teu amor desvendar!

A vida que te dê um emporrãozinho para a felicidade!;)
bem que dá jeito um emporrão, ás vezes! lol

Desnuda disse...

Existe poesia sem mar? Amor sem mar? Música sem mar? Vida sem mar? E dor que o mar não leve? E tantos pedidos feitos a beira do mar...Ouça a música das conchas do mar, baixinho. Ela te levará ao mar e deixarás lá os gemidos e o silêncio triste.

Grande beijo querida Valsa Lenta.